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Depressão pós-parto

Qual a diferença da depressão pós-parto para o cansaço natural da maternidade?

A mulher, depois do parto, sente-se mais fadigada, com falta de energia, tem mais dificuldade para dormir devido aos cuidados com a amamentação do bebê, podendo haver, inclusive, uma alteração do apetite neste período.
Essas situações, porém, também são sintomas da depressão.
Sendo assim, não se devem considerar somente esses sintomas para o diagnóstico de Depressão Pós-Parto (DPP).

É necessário prestar atenção nos sintomas como: sentimento de culpa, pensamentos negativos em relação a capacidade de cuidar do bebê, tristeza, desesperança, perda de interesse para as coisas do cotidiano, choro constante. Considere ainda, a repercussão que a DPP tem na capacidade de a mulher cuidar do recém-nascido e de si mesma.

No caso, a mulher pode ter grande dificuldade no seu funcionamento como mãe, esposa e também na capacidade de ter um relacionamento social (ex.: receber visitas a contento do que se espera dela no pós-parto). Além disso, tende a ter um contato menos afetuoso com o filho e apresenta dificuldade para amamentá-lo durante o tempo adequado.

A DPP é um quadro grave que precisa ser diagnosticado precocemente, e que, por conta do desafio de diagnosticá-la, deve ser separada do que ocorre comumente durante o puerpério – período pós-parto em que o corpo da mulher se recupera da gravidez.

Estamos nos referindo a uma doença que pode ocorrer em muitas mulheres, dias ou semanas após dar à luz. No Brasil, cerca de 40% das mulheres desenvolvem a DPP, segundo o Ministério da Saúde. Sendo que 10% delas sofrem com o nível mais severo da doença.

Uma das principais causas envolvidas é a mudança hormonal brusca que ocorre após a gestação. Mas também pode ser causada devido a rotinas estressantes, quadros de ansiedade, relacionamento conjugal instável, dificuldades no relacionamento com o pai da criança, ausência de apoio familiar, gestação indesejada, episódios passados de depressão, dificuldades financeiras, entre outros.

Ao perceber os primeiros sintomas, é importante procurar ajuda médica para que a doença seja detectada e tratada logo no início.

Dr. Higor Caldato – Médico Psiquiatra