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A chia e o terrorismo midiático

*Autor: Rafael Ventura

Uma semente minúscula e oval, que conjuntamente com o milho e o feijão serviu como alimento nas antigas civilizações Astecas e Maias, se tornou febre de uns anos pra cá na nutrição funcional devido aos recentes estudos que demonstraram seus benefícios. Por outro lado, algumas questões sobre a seguridade e potenciais efeitos com o consumo exagerado dessa semente tem vindo à tona, como em um caso clínico de uma obstrução esofágica pelo uso das sementes, além de outras pesquisas que revelam a possibilidade de reações alérgicas.

De forma geral, os poucos estudos sobre a chia fazem com que alguns casos isolados passem a ser regras, e gere um terrorismo midiático pela própria ignorância científica. No escopo colocado, algumas notícias foram veiculadas sobre o fato de a chia poder desencadear um quadro de obstrução esofágica. Para indivíduos com um histórico de problemas na deglutição ou constrição esofágica, a chia deveria ser evitada ou somente consumida previamente colocada em água devido a propriedade das sementes de absorverem 27 vezes seu peso em água. Isso deveria ser feito, pois as sementes de chia ricas em fibras solúveis formam uma solução gelatinosa com água podendo causar a obstrução esofágica em pessoas com propensão a este quadro. Mas, para 99% da população, a chia pode ser inserida em um plano alimentar sem nenhuma ressalva proporcionando benefícios. Isto é, apenas para casos isolados, pessoas enfermas, a chia, como qualquer outro alimento sem um corpo sólido de estudos quanto a seguridade do seu consumo em populações de risco, deveria ser refletida. Afinal, não é porque alguns indivíduos tiveram complicações com seu uso, que iremos demonizar uma semente utilizada há milênios na nutrição de povos antigos e com pesquisas promissoras na área de saúde e bem-estar. Adicionalmente estudos científicos associativos não produzem informação sobre uma relação causa e efeito. Ou seja, poderia existir outros fatores que desencadeiam todos esses problemas sem ser de fato a alimentação frequente com a chia. E paremos para pensar: será que duas colheres de sopa diariamente pode ser considerado um consumo excessivo? Quantos mililitros de adoçantes sintéticos ingerimos semanalmente? E bebidas açucaradas?

Vale destacar novamente a importância da individualidade bioquímica e do trabalho de nutricionistas e médicos para avaliação de cada quadro. Assim como demonizar alimentos não condiz, generalizar casos clínicos também não se aplica. Alergias, intolerâncias a alimentos e casos específicos de doenças são investigáveis em consultas. Procure sempre o auxílio de um médico e nutricionista para seu caso e viva com menos terrorismos.

Referências:

Webmd

Heal with food

Bustle