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Pílulas anticoncepcionais podem prejudicar a hipertrofia em mulheres?

*Autor: Rafael Ventura

Um famoso estudo de 2009 realizado na Universidade de Texas publicado no Jornal da Federação da Sociedade Americana de Experimentos Biológicos (FASEB, sigla em inglês) analisou a influência das pílulas contraceptivas na composição corpórea de mulheres jovens e ativas praticantes de musculação. Dois grupos foram estudados. Um com mulheres fazendo uso de pílulas orais contraceptivas (usuárias) e o outro com mulheres que não tomavam a pílula (não usuárias). O designer do experimento contou com:

  • Mulheres de 18-31 anos (usuárias n =34; não usuárias n = 39)
  • 10 semanas de musculação (3x na semana; 3 sets com 6-10 repetições à 75% da frequência cardíaca máxima)
  • Método hidrostático para avaliação da composição corporal
  • Análises de sangue antes e depois do treino para atividade hormonal

Os autores concluíram que o uso de contraceptivos orais prejudicou o ganho de massa nessas mulheres comparativamente, já que foi observado no grupo das usuárias um “ambiente menos anabólico” devido a:

  • Menor concentração de DHEA
  • Menor concentração de DHEAS
  • Menor concentração de IGF-1
  • Maior concentração de Cortisol

O grupo que fez uso das pílulas apresentou um menor ganho de massa comparativamente com o grupo que não fez uso, mesmo utilizando o mesmo protocolo de treino.

Cabe salientar uma questão importante, usuárias de pílulas anticoncepcionais com baixa androgenicidade (leia-se “mais fracas”) não tiveram diferenças significativas no ganho de massa com as não usuárias. Já usuárias de pílulas com média ou alta androgenicidade apresentaram sim menor ganho de massa comparativamente com as não usuárias.

Essa diminuição no ganho de massa talvez tenha relação com a androgenicidade das progestinas (hormônios sintéticos das pílulas) nos receptores androgênicos, possivelmente essas progestinas se ligam nesses receptores, inibindo-os funcionalmente.

 

Referências:

Medpagetoday

Fasebj